Rogério,
De todas as porradas que a vida me deu, nenhuma chegou aos pés dessa tua. Eu te chamo pelo nome mesmo, porque você não é um pai, você é uma criatura mesquinha e pequena que se agarra a essa merda de vida que leva para justificar valores que você nunca respeitou nem comigo e nem com o Marcelo.
Você nunca se importou com o que eu realmente sentia por você. Nunca se deu o trabalho de me perguntar se eu estava feliz ou se precisava de alguma coisa. A verdade é que desde que voltei pra casa, depois que a mamãe morreu, tudo o que eu fiz na vida foi tentar te agradar, tentar provar que eu podia ser um bom filho, independentemente do fato de ser gay. Mas nada nunca adiantou, porque você nunca se deu o trabalho de me olhar como eu realmente sou.
Pois bem, se você pensa que me expulsar do restaurante vai resolver alguma coisa, você está muito enganado. Eu cansei de fingir que tenho uma família. Cansei de fingir que existe qualquer relação decente entre nós dois. Pra mim, você é um estranho, um qualquer que não significa porra nenhuma na minha fantástica existência. E ainda tem mais, você é um imbecil de achar que pode tocar esse restaurante sem mim. Mas divirta-se, eu não vou mesmo estar presente quando você se arruinar. Eu vou achar ótimo, inclusive!
Você não sabe das coisas que eu passei fora de casa. Você não faz a menor idéia do que eu sou capaz para me manter de pé. E nunca vai saber, porque eu não faço a menor questão de dirigir a palavra a você novamente. Mas, olha, não se preocupe, porque esse seu filhinho querido aqui sabe se virar muito bem: fica com tudo; eu não quero nem um centavo. Eu soube administrar minhas próprias finanças como você nunca fez em toda a sua vida.
É, você conseguiu o queria, você me expulsou definitivamente da tua vida. E, sabe, eu não te odeio por isso… eu só consigo sentir desprezo pela merda de pessoa que você é.
Como eu queria que você tivesse morrido no lugar da mamãe,
Gabriel Calazans.




















